Veja como geografia e clima na Califórnia explicam incêndios em Los Angeles

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Os incêndios florestais em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos, já duraram quase uma semana e continuam se alastrando e causando destruição por onde passam. As primeiras brasas foram transportadas pelos ventos de Santa Ana. O fato, que contribui para potencializar a rapidez com que as chamas aumentam e percorrem a cidade, é apenas uma de ocorrências climáticas e relacionadas à geografia do local que agravou e agravou o que já configura desastre natural.

Para entender mais sobre os fatores que causam a situação dos incêndiosum CNN conversou com dois especialistas em mudanças climáticas e geografia. Em primeiro lugar, como explicam os profissionais, a Califórnia possui clima mediterrâneo (verões quentes e secos e invernos amenos e chuvosos), variando, nas diferentes regiões, de temperado (ameno, chuvas recorrentes) a árido (poucas chuvas, alta amplitude térmica). ).

Um clima seco, de poucas chuvas

“Atualmente, a região não é inverno, período em que, normalmente, há maiores volumes de chuva. No entanto, o baixo índice pluviométrico dos últimos meses, típico do verão e do início da primavera, deixa a vegetação, em parte arbustiva e arbórea, mais seca”, explica Alexandre Groth, professor de geografia da Plataforma Professor Ferretto.

“Para agravar a situação, mesmo que seja o período de início de maiores volumes de chuva, é comum que haja a formação de sistemas de alta pressão, originários das zonas áridas e semiáridas, impulsionando ventos quentes e secos para região”. Tais ventos são conhecidos como ventos de Santa Anaque se caracterizam por alta intensidade e baixa umidade do ar e do vegetação, favorecendo a ocorrência e propagação de incêndios.

“Isso tudo cria um ambiente muito propício para ignição e disseminação das chamas das brasas. Essas condições são potencializadas pela vegetação seca que funciona como um combustível natural, permitindo que o fogo se espalhe rapidamente”, comenta Marcello Rodante, especialista em mudanças do clima e políticas públicas.

Aquisição global

Marcello ainda destaca o “papel” exercido pelo aquecimento global nos incêndios da Califórnia. Gerado pela mudança do clima, ele traz um clima mais quente, há uma mudança no padrão climático da região ainda maior. “São secas prolongadas, você muda os padrões naturais”, diz o profissional.

Segundo o especialista, fatores climáticos, como os ventos de Santa Ana, estão ainda sendo potencializados pelos padrões climáticos de aquecimento globais.

“Os governos, falando no longo prazo, as nações, têm que se comprometer com metas ambiciosas de redução das emissões dos gases de efeito estufa, os acordos têm que ser mais amplos, e os países têm que conseguir entregar mais as metas para que a gente conseguir emitir menos, sequestrar mais CO2 do meio ambiente.”

Geografia montanhosa

A geografia da Califórnia também exerce um papel crucial na propagação do incêndio. “Os terrenos lá são montanhosos, o que favorece o avanço das chamas. Em altitudes maiores o fogo tende a subir com maior rapidez. Na região também existem os vales e os cânions que acabam funcionando como ‘corredores de ventos’ (barreiras artificiais que conduzem o vento), então isso intensifica a força, é uma combinação geográfica que acaba transformando aquela paisagem”, ressalta Marcello.

“Muito embora a geografia seja imutável, o impacto na sua influência pode ser mitigado por meio de um planejamento urbano muito consistente, muito consciente, muito preocupado e muito atento a esses temas. Você precisa ter zonas de amortecimento e implementação de políticas muito rigorosas em relação ao solo. Provavelmente essas áreas urbanas estavam muito descontroladas”, complementa o profissional.

Segundo os profissionais, a redução dos focos de incêndio é dependente, sobretudo, das condições naturais, retornando as chuvas e diminuindo a intensidade dos ventos fortes e secos do interior.

“Além disso, cabe às autoridades e à população medidas de maior controle sobre possíveis focos, visto que a maioria dos casos são acidentais ou por negligência da própria população”, diz Alexandre Groth.

“A solução para essa crise vai exigir uma abordagem integrada, multifacetada. E acima de tudo o interesse político que muitas vezes acaba encontrando resistência em outros interesses econômicos, outras visões de mundo. Programas de educação ambiental, conscientização de riscos, práticas agrícolas mais sustentáveis, um manejo florestal mais adequado. Tem muita coisa a ser feita e desenvolvida para que a gente consiga melhorar um pouco esse quadro”, finaliza Marcello.

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Fonte: CNN Brasil

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