Como as mudanças climáticas estão impactando a saúde pública

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As alterações climáticas não são apenas uma ameaça distante que surge no horizonte – já estão a ter um impacto profundo na saúde pública em todo o mundo. O aumento das temperaturas globais, os fenómenos meteorológicos extremos e a mudança dos ecossistemas estão todos a contribuir para uma vasta gama de resultados negativos para a saúde que só deverão piorar nas próximas décadas.

Um dos impactos mais diretos das alterações climáticas na saúde pública é o aumento dos fenómenos de calor extremo. À medida que as temperaturas sobem, espera-se que o número de dias com temperaturas perigosamente elevadas aumente, colocando populações vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde pré-existentes, em risco de doenças relacionadas com o calor, como insolação e desidratação. De facto, um estudo publicado na Lancet concluiu que os fenómenos de calor extremo já levaram a um aumento de mortes relacionadas com o calor em algumas regiões, e é provável que esta tendência continue à medida que as temperaturas continuam a subir.

Além dos fenómenos de calor extremo, as alterações climáticas também contribuem para a propagação de doenças infecciosas. As temperaturas mais quentes e a mudança nos padrões de precipitação estão a permitir que os insectos transmissores de doenças, como os mosquitos e as carraças, expandam o seu alcance, levando a um aumento de doenças transmitidas por vectores, como a malária, a dengue e a doença de Lyme. Em regiões onde estas doenças eram anteriormente raras, os sistemas de saúde podem não estar adequadamente preparados para lidar com surtos, levando ao aumento da morbilidade e mortalidade.

As alterações climáticas também estão a afectar a qualidade do ar, com temperaturas mais elevadas e alterações nos padrões climáticos que levam a um aumento do ozono troposférico e das partículas. A má qualidade do ar tem sido associada a uma ampla gama de problemas de saúde respiratórios e cardiovasculares, incluindo exacerbações de asma, ataques cardíacos e morte prematura. À medida que as temperaturas continuam a subir e os fenómenos meteorológicos extremos se tornam mais frequentes, espera-se que os impactos da poluição atmosférica na saúde piorem.

Os efeitos das alterações climáticas na saúde pública não se limitam à saúde física – a saúde mental também está a ser afetada pelas alterações climáticas. Desastres naturais como furacões, inundações e incêndios florestais estão a tornar-se mais frequentes e graves, conduzindo a elevados níveis de stress, ansiedade e depressão entre as pessoas afetadas. Além disso, a perda de casas, meios de subsistência e comunidades devido às alterações climáticas pode ter impactos psicológicos duradouros nos indivíduos e nas comunidades.

A fim de mitigar os impactos das alterações climáticas na saúde, são necessárias medidas urgentes para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e adaptar-se às alterações climáticas. Isto inclui investir em fontes de energia limpa, melhorar a infraestrutura de transporte público e implementar políticas para reduzir a poluição atmosférica. Os sistemas de saúde também precisam de estar preparados para responder aos impactos das alterações climáticas na saúde, desenvolvendo sistemas de alerta precoce para fenómenos meteorológicos extremos, prestando apoio às populações vulneráveis ​​e promovendo a resiliência das comunidades.

Em última análise, enfrentar as alterações climáticas não é apenas uma questão ambiental – é um imperativo de saúde pública. Ao tomar medidas decisivas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e construir sistemas de saúde resilientes, podemos proteger a saúde e o bem-estar das gerações atuais e futuras. A hora de agir é agora.

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